sinto que não pertenço mais aqui, sinto que não faço mais a diferença, os meus membros já não crescem mais e a cabeça pensa cada vez mais; ajo cada vez menos, não sinto mais o coração como sentia, meus olhos lacrimejam cada vez menos e meu sorriso continua sumindo.
Não sinto a diferença da maturidade e idade, a noção entre o bem e o mal já não faz tanto sentido. E desde o começo, está ficando tarde.
Perco as chaves demais ultimamente, já não sei nem quais destrancam as portas e muito menos trancá-las, e talvez não sei mais nem o que significam.
BORBOLETAS
Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de
se decepcionar é grande.
As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.
Temos que nos bastar… nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.
As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.
A idade vai chegando e, com o passar do tempo, nossas prioridades na vida vão mudando…
A vida profissional, a monografia de final de curso, as contas a pagar…
Mas uma coisa parece estar sempre presente… A busca pela felicidade, com o amor da sua vida.
Desde pequenos ficamos nos perguntando “quando será que vai chegar?” E a cada nova paquera, vez ou outra nos pegamos na dúvida “será que é ela?”.
Cada namorada era a nova mulher da sua vida.
Fazíamos planos, escolhíamos o nome dos filhos, o lugar da
lua-de-mel e, de repente…
PLAFT! Como num passe de mágica ela desaparecia, fazendo criar mais expectativas a respeito “da próxima”.
Você percebe que cair na guerra quando se termina um namoro é muito natural, mas que já não dura mais de três meses.
Agora, você procura melhor e começa ser mais seletivo.
Procura uma mulher formada, trabalhadora, bem resolvida,
inteligente, com aquele papo que o deixa sentado no bar o resto da noite.
Você procura por alguém que cuide de você quando está doente, que jogue “imagem e ação” e se divirta como uma criança, que sorria de felicidade quando te olha, mesmo quando você está de shorts, camiseta e chinelo.
A liberdade, ficar sem compromisso, sair sem dar satisfação, já não tem o mesmo valor que tinha antes.
A gente inventa um monte de desculpas esfarrapadas, mas
continuamos com a procura incessante por uma pessoa legal que nos complete, e vice-versa.
Enquanto tivermos charme e perfume, vamos à luta…
E haja dinheiro para manter a presença em todos os eventos da
cidade: churrasco, festas, baladas.
Mas o melhor dessa parte é se divertir com os amigos, rir até doer barriga, fazer aqueles passinhos bregas de antigamente e curtir o som…
Olhar para o teto, cantar bem alto aquela música que você curte.
Com o tempo, voce vai percebendo que para ser feliz com
uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você.
O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar
não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!








